Ela abriu os olhos naquela manhã de inverno, há 17 anos... Um teto claro, alto. Ela dormindo em um colchão e ao lado um rapaz lindo ao qual amava... Trabalhava como vendedora em uma loja de artigos esportivos. Seu sonho era casar com ele e lhe dar um menino de filho: os olhos evidentemente seriam castanhos, cabelos lisos, robusto, com covas no rosto e um sorriso lindo. Seria a alegria da família.
Ela acordou naquela manhã de março há 14 anos e ao seu lado estava o seu namorado. Foi, banhou-se e descobriu, com água do chuveiro batendo em seus seios que estava grávida. Era março e ela estava estudando há poucas semanas no curso que escolherá na faculdade... Tudo mudou...
E mudou radicalmente...
Ela acordou naquela manhã de verão há 12 anos. Olhou pra cima e viu um lindo menino chamando-a de mamãe. Loiro, rechonchudo, mal humorado, genioso, amoroso, seu sol! Sentiu-se abençoada.
Ela acordou naquela manhã de primavera há 9 anos. Olhou para o teto, ele era de madeira, amarela, ao seu lado, seu lindo menino, parceiro... Olhou e estava com um gesso na perna: havia quebrado o pé e
lesionado os ligamentos... Ele cuidou dela com apenas 5 anos... Servia-lhe água, trazia toalhas molhadas para resfriar o corpo. Uma alma irmã!
Ela acordou naquela manhã cinzenta... Uma outra qualquer e ao seu lado o marido. Não era o queria pro resto da vida. Muitas vezes, nós piores momentos, quando ela mais precisava de acolhida e cuidado... Nunca o teve.
Outras manhãs ela acordou com o mesmo pensamento.
Outros dias se passaram...
Vieram as madrugadas, onde podia sonhar. Descobriu uma janela por onde podia dar curtos vôos e exercitar suas asas... Ela falava de tudo, sentia tanta alegria que os dias lhe pareciam enfadonhos...
E ela voltou a dormir...
Acordar do lado dele. Tentou sair algumas vezes, mas pensava no menino, que mesmo crescido, merecia o melhor.
Seu sacrifício não seria em vão.
Numa manhã de outono ela acordou, olhou o mesmo teto por anos... Era escuro, de madeira. Levantou-se, trabalhou, foi ao salão de beleza e lá descobriu-se muito solitária... A palavra é abandono!
Partilhou isso chorando ao homem com quem dividiu 16 anos da vida e ele a ignorou, mais uma vez.
Na manhã seguinte, acordou e viu um teto familiar, mas diferente dos últimos anos. Era quarto de sua mãe. Havia saído.
Acordou numa manhã de outono, viu um teto branco, móveis que não faziam parte de sua vida. Ao seu lado alguém que aprenderá a confiar. Finalmente poderia se deixar levar pelos sentimentos? Não!
Ela acorda, diariamente com o teto amarelo sobre sua cabeça. Um lugar que não gosta. Diz ser passageiro. Diz que não demorará! Diz a si mesma que não pertence a esse lugar.
Ela já escutou de tudo... Desde isso não é seu, é de favor... Até que não sofreu o suficiente.
Ela só tem esse rapaz, seu filho.
E é tudo que tem. É seu mundo. É o sorriso que a faz viver.
Toda manhã ela abre os olhos e não quer ver o teto, quer ver o rosto do filho. Por vezes acorda no meio da noite e afaga-lhe as madeixas e pensa: "preciso que ele corte o cabelo!". Outras vezes, deixa-o dormir e vai delicadamente e faz o sinal da cruz com água benta em sua testa e faz uma pequena prece de proteção a Deus.
Ela está cansada. As batalhas lhe tiraram quase tudo... Ferida, manca, desnutrida de sentimentos... Perdeu o que nunca teve: um amor que julgava existir por ela doar aos demais... Mas se consola dizendo que é resposta aos seus pedidos a Deus: "me mostre os que realmente eu posso confiar". E restaram raros... O primeiro e maior é seu filho, os demais são amizades.
E no final, quando essa etapa da vida se concluir... Ela estará mais forte, radiante. Pois o ouro deve passar por grande fornalha e calor para ser purificado.
A transformação dói. E ela está em momento de transmutação.
Depois que entramos no casulo, só podemos sair vivos se nos transformarmos em borboletas...
E ela fará um lindo vôo... Meu desejo pra ela, essa guerreira a quem tenho tanto orgulho em ver.
domingo, 24 de agosto de 2014
sábado, 23 de agosto de 2014
Esperando algo de bom
Iniciei a terapia, agora com um homem.
Antes tive uma terapeuta, depois um psiquiatra depois uma psiquiatra e agora retorno a terapia com psicólogo. Prefiro os psicólogos, é uma terapia de construção, de vínculos e não entram medicações. Nunca usei drogas e por isso, talvez, eu seja chata com medicações. Tenho em minha família várias pessoas que abdicam de uma terapia por ser cara e longa e se atiram no primeiro psiquiatra que lhes prescrevem remédios para dormir, depois acordar e depois trabalhar.
Já fiz uso de medicações assim. E posso afirmar que, depois de 4 meses eu me sentia uma zumbi. Sim, eu comia, me banhava, trabalhava... Até transava. Mas de fato, eu não sentia dor, aflição, ansiedade, temor, amor... Eu não me indignava, meu sangue não fervia frente as injustiças... Eu apenas aceitava... Casa vez que chegava ao meu pico, de querer sair porta fora, vinha alguém e me convencia de que eu estava errada e eu me medicava. Me tornava novamente uma zumbi. Concordava, me banhava, comia, trabalhava...
Esse ano eu parei, bati o pé. Não vou usar nada...
E foi o ano em que me separei. O ano em que não concordei. E minha família não "curtiu". Ao meu lado, meu filho e dois gatos. Só. Somente estes!
Os demais, gritam que estou louca, que não vou conseguir nada com isso. Meu ex, tripudia o que pode, unindo-se aos meus familiares e fomenta a ideia que não sou boa com meu filho. Inventou terapia familiar... Fui. E fui exposta ao ridículo. Continuei, deixo evidente que não posso dividir uma sala com uma pessoa que me faz mal.
Vivi muito tempo e essa pessoa, se sentindo traída por eu não mais a querer, por ela mesma não ter ombridade de me conseguir um lugar pra viver, quer, ainda controlar meus passos.
Minha família teima em querer que eu use medicações. Claro, assim, eu concordaria na frente do juiz em voltar pra ele.
Disse que queria sentir cada dor. E eles se puseram a cooperar com todas que podiam! Enfim, continuo viva. Ainda não terminaram comigo. Resisto. Persisto. Insisto.
Continuo aqui, meu trabalho, meus amigos... Pois é... Foi gente que não é do meu sangue que me ajuda, dá uma palavra de ânimo, um conselho... E sigo.
Sei é confio na justiça divina. Creio que o que pedi, que foi abrir meus olhos, Ele me concedeu. Agora, lhe peço outras coisas. Pois o dia em que eu recuperar tudo que perdi (ou que me foi tirado), essas pessoas que hoje me querem ver por baixo, não poderão estar comigo. Não são confiáveis. Uma vez que, se por baixo lhe querem afundar, sempre terão essa postura. É triste não poder contar com os laços de sangue, mas pior é viver na escuridão.
Então, um dia, em breve, poderei olhar para trás e dizer: eu passei no teste.
Espero algo de bom.
Sei que está me esperando ali, onde o tempo faz a curva!
Antes tive uma terapeuta, depois um psiquiatra depois uma psiquiatra e agora retorno a terapia com psicólogo. Prefiro os psicólogos, é uma terapia de construção, de vínculos e não entram medicações. Nunca usei drogas e por isso, talvez, eu seja chata com medicações. Tenho em minha família várias pessoas que abdicam de uma terapia por ser cara e longa e se atiram no primeiro psiquiatra que lhes prescrevem remédios para dormir, depois acordar e depois trabalhar.
Já fiz uso de medicações assim. E posso afirmar que, depois de 4 meses eu me sentia uma zumbi. Sim, eu comia, me banhava, trabalhava... Até transava. Mas de fato, eu não sentia dor, aflição, ansiedade, temor, amor... Eu não me indignava, meu sangue não fervia frente as injustiças... Eu apenas aceitava... Casa vez que chegava ao meu pico, de querer sair porta fora, vinha alguém e me convencia de que eu estava errada e eu me medicava. Me tornava novamente uma zumbi. Concordava, me banhava, comia, trabalhava...
Esse ano eu parei, bati o pé. Não vou usar nada...
E foi o ano em que me separei. O ano em que não concordei. E minha família não "curtiu". Ao meu lado, meu filho e dois gatos. Só. Somente estes!
Os demais, gritam que estou louca, que não vou conseguir nada com isso. Meu ex, tripudia o que pode, unindo-se aos meus familiares e fomenta a ideia que não sou boa com meu filho. Inventou terapia familiar... Fui. E fui exposta ao ridículo. Continuei, deixo evidente que não posso dividir uma sala com uma pessoa que me faz mal.
Vivi muito tempo e essa pessoa, se sentindo traída por eu não mais a querer, por ela mesma não ter ombridade de me conseguir um lugar pra viver, quer, ainda controlar meus passos.
Minha família teima em querer que eu use medicações. Claro, assim, eu concordaria na frente do juiz em voltar pra ele.
Disse que queria sentir cada dor. E eles se puseram a cooperar com todas que podiam! Enfim, continuo viva. Ainda não terminaram comigo. Resisto. Persisto. Insisto.
Continuo aqui, meu trabalho, meus amigos... Pois é... Foi gente que não é do meu sangue que me ajuda, dá uma palavra de ânimo, um conselho... E sigo.
Sei é confio na justiça divina. Creio que o que pedi, que foi abrir meus olhos, Ele me concedeu. Agora, lhe peço outras coisas. Pois o dia em que eu recuperar tudo que perdi (ou que me foi tirado), essas pessoas que hoje me querem ver por baixo, não poderão estar comigo. Não são confiáveis. Uma vez que, se por baixo lhe querem afundar, sempre terão essa postura. É triste não poder contar com os laços de sangue, mas pior é viver na escuridão.
Então, um dia, em breve, poderei olhar para trás e dizer: eu passei no teste.
Espero algo de bom.
Sei que está me esperando ali, onde o tempo faz a curva!
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