domingo, 11 de março de 2012

Amores...


amores
Estava pensando em todo o tempo que dediquei aos meus amores, incluindo os maus sucedidos. Bem, coloco como bem sucedidos os dos meus pais, que aos trancos e barrancos a gente vai se entendendo ou aceitando, tolerando. Mas esses ainda são os mais fáceis, afinal, dificilmente deixariam de me amar – ah, não por ser eu uma pessoa especial no mundo mas por ser filha deles!

Amizades, bem, são tão poucas que nem gosto de contar, não enchem uma mão. Sou da opinião que melhor só do que mal acompanhada!

Tenho aqueles amores que jamais me serão meus: a genialidade, a escrita e o dinheiro, creio veementemente que dinheiro, definitivamente não será um dos meus amores, tão pouco amante...

Mas aqueles que de fato um dia amamos, e tentamos compreender como foi que aconteceu. Hoje, analiso um pouco mais friamente. Acho que um deles foi porque era proibido, totalmente. Porque era de fato, um pacto, selado com sangue como manda o figurino.

Outro, foi quase que uma disputa, um cortejo, um desafio grande a concluir. Foi difícil manter. E então, procurei por muito tempo um substituto, pois deveria terminar o que comecei.

Na verdade queria alguém para eu cuidar, amar, proteger e ensinar os truques dessa vida no mundão de Deus.

Quando tive meu maior amor, meu filho, compreendi que ali, realmente se iniciara o que me propusera com outros homens – homens só no censo, pois eram infantis perto do sentido maduro da palavra.

Jamais procurei um pai pra mim. Nunca precisei, pois quando era na idade de ter, o tive. Aceito meu pai como ele é, mesmo tendo minhas discussões, eu o amo e sei que não posso mudá-lo. Talvez seja isso que me falte com algumas pessoas: aceitá-las como são!

Lembro-me bem quando, há muito tempo atrás uma ex-sogra me disse: “tu é a mulher pro meu filho” – além de me sentir honrada, já que ela tinha um grande reconhecimento meu, parecia que ali alguém estava dizendo que estava ficando pronta para o “ser adulta”.

Em verdade, fui viver isso uns anos depois, com o nascimento de meu filho.

Hoje tenho dois trabalhos, se não fosse o tratamento de canal no molar, acho que poderia ainda dançar a noite e estaria bem às 6h 20min da manhã que me acordo diariamente.

Sou forte, muito forte. Sou frágil, muito frágil. Sou um ouriço-do-mar, cheio de espinhos por fora e uma gelatina por dentro. Faço cara feia só para não mexerem comigo, pra acreditarem que sou a mulher de ferro... mas em verdade, sou aquela que quer colo, que quer ser chamada de amada, de querida, meu amor... que quer ser puxada pelo braço de repente e ser beijada não importa onde. Que gosta de romantismos, que passa muito tempo olhando a lua sem nem mesmo saber exatamente o que a atrai tanto fazendo isso...

Meus amores sempre terão seus lugares em minha memória. Um lugar especial.

Hoje não me vejo com ninguém e tão pouco a procura de um. Acho que vivo um tempo de peregrinação solitária. Não é ruim. A solidão, que tanto me apavorou por quase toda a vida, anda me dizendo que podemos ser amigas. E sinto que na solidão, posso ver melhor as pessoas. Posso conduzir minha vida simples de maneira simples. Correria, jamais poderei evitar, parece que nasci pra tempestade... mas mesmo assim, hoje, me sinto mais livre quando finalmente disse adeus aos temores de outrora.

Eu, numa tarde quente de março, escrevendo por ter muito o que fazer e tão pouco tempo, mas o que é o tempo se aquilo se chama vida. O tempo, pra alguns pode ser o Chronos, os devorando, o relativismo do Einstein...

Eu tive tempo pra amar e amei profundamente, tive tempo de luto e o usei, tive o tempo do adeus. Agora vivo o tempo do hiato entre o antes e o depois – o agora é meio imprevisível... pois o futuro desconhecemos, o passado não tem concerto e o presente... depende de tantos fatores...

Penso que haverá um tempo pra cada coisa, assim aconteceu comigo. Sempre que estive preparada para algo, isso aconteceu. Então já não me aflijo muito com certas coisas... pois elas irão acontecer. Sinto as profecias que disse se encaminharem a se materializar no exato momento em que estiver pronta pra assumir!

Claro, existiram sonhos que não alcancei, mas eles não eram profecias! Sou uma mulher firme de convicções, mas muito flexível em certas ocasiões. Tive, certa vez que dizer o que por muitos anos ficou entalado dentro de mim e depois de analisar tudo, verifiquei que amava o passado, não o presente. Que mudei vertiginosamente e outros pararam no tempo... Ninguém pode ser culpado, cada um sabe o que lhe move, ou não sabe e mesmo assim o faz.

Sou difícil, quero as coisas como idealizei e sei que isso pode ser interpretado como infantilidade, controladorismo e até mesmo, sei lá, uma falta enorme de senso de realidade e aceitação dos demais. Mas não mordo, não jogo materiais inflamáveis nas pessoas, não trapaceio, não roubo, “não arranho discos ou cds, não quebro xícaras...” .

Então aqueles que me amam é porque passaram por cima de tudo isso, tiveram acesso ao meu interior gelatinoso, não tiveram medo dos espinhos. A estes devo todo meu carinho!!!


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